Resumo de carreira

Com dezesseis anos tive meu primeiro emprego: empacotador em um supermercado. Eu adorava. É sério, além de ganhar minha própria grana eu conheci uma galera muito bacana. E quando não estava na frente do caixa exercia algumas funções paralelas na padaria, no estoque e no estacionamento. Mas um dia eu fiquei de saco cheio de um novo gerente que tratava mal os funcionários e vazei.

Em meu segundo trampo eu já estava com dezoito anos e esse não durou nem o período de experiência. Fui trabalhar na lavanderia de uma fabrica de calças jeans. Todo dia eu ganhava uma tatuagem nova no braço porque tirava as calças das secadoras industriais enfiando o braço dentro delas e os botões que estavam fervendo grudavam na pele. Era zuado.

Até ai eu não tinha muitas opções. Anunciavam uma vaga e eu tentava a sorte. Não existiam critérios.

Então, alguns meses após sair da fábrica de jeans, ganhei um curso de montagem e manutenção de computadores em uma escola muito conhecida de Botucatu, e antes do fim do curso o dono da escola recebeu uma recomendação do meu professor e ganhei um estágio na área de suporte. A partir dai me encantei: tecnologia, com certeza, era a minha praia. Primeiro eu cuidei da infraestrutura, e pouco depois estava dando aulas também. Fui me tornando bom e conhecido na região. Comecei a dar aulas e atender clientes fora da escola. Comecei a atender empresas e tudo estava indo bem.

Depois de seis anos, comecei a sentir algo ruim, um sentimento de estagnação. Eu precisava evoluir. Mas como? Na época eu estava namorando a Ariadne, hoje minha esposa, e ela já fazia FATEC. Foi ela quem me incentivou a prestar o vestibular. Consegui. A faculdade me fez muito bem e trouxe o desejo de partir para uma nova profissão: desenvolvedor de software.

Ao terminar a faculdade eu estava com vinte e sete anos, e uma dúvida mesclada com preocupação começou a rondar minha cabeça. Observando a cena nacional de desenvolvedores e pesquisando sobre os eventos e palestrantes, fiquei nessa de “talvez seja muito velho para iniciar uma carreira como desenvolvedor”. Uma mulecada de dezoito, vinte anos estava dominando a cena como ninguém.

Mas como eu gostava muito do que estava fazendo, e não queria voltar para infraestrutura, respirei fundo e fui com medo mesmo. No começo foi devagar, precisei estudar muito sozinho. No geral comecei pegando projetos de websites, lojas virtuais e fui ganhando experiência.

Quando estava entrando no mercado como desenvolvedor, consegui uma bolsa de pesquisador pela CNPQ para realizar um trabalho no SEBRAE de Piracicaba, como Agente de Inovação, os famosos ALIs. O trabalho não tinha nada a ver com TI e era muito mais relacionado com gestão e estratégia empresarial. Eu ganhava bem, muito bem até, mas eu não estava feliz, e enquanto estava lá comecei a entrar em contato com muitos empresários que me falavam sobre suas necessidades com TI e acabei deixando o SEBRAE para voltar a desenvolver. Dessa vez, focado em sistemas empresariais.

Desde então não abandonei mais essa vida. Desenvolvi para muitas empresas, dentre elas a EMBRAER, IRIZAR e atualmente estou na VEMAX Usinagem. Uma empresa sensacional onde encontrei diretores que depositaram uma enorme confiança no meu trabalho. Além dos projetos de software hoje auxilio com a gestão da TI na empresa. Ainda tenho muito o que aprender com eles sobre gestão, mas estou ciente de que só tem fera para me guiar, então estou tranquilo.

Algumas lições que tirei desses anos todos:

  1. Você precisa aprender a vender seu peixe: Essa coisa de “eu não nasci para vender” tem que ser deixada de lado. Você não precisa ser aquele vendedor top master, mas tem que aprender a se vender, se mostrar por ai, oferecer seu serviço. Não tenha vergonha.
  2. Precisa de um projeto para ganhar experiência? Procure primeiro no seu círculo social, sua rede mais próxima, e amplie pedindo para que seus parentes e amigos te recomendem. Oferecer uma porcentagem sempre ajuda. Seu primo não tem uma loja? Ou aquele tio que trabalha em certo lugar que precisa de um sistema, ou site, depende de qual sua área. Pergunte para eles se precisam de algo. Pergunte para seus amigos. Corre atrás. Se mesmo assim você não conseguir nada existem algumas alternativas para mostrar serviço e ganhar experiência. Uma coisa que você tem que ter em mente é que nunca deve trabalhar de graça. Nem mesmo para ganhar algum trabalho que vai mostrar seu dom. Se for para fazer algo sem cobrar, que seja para alguma instituição de caridade ou ONG sem fins lucrativos. Ai sim vale a pena. E a maior de todas as dicas: se envolva em projetos de software livre. Encontre algum que você tenha afinidade e parta pra cima. Faça o download, mexa no código, veja a lista de issues e solucione algumas. Além de ajudar imensamente a comunidade, você vai estar ganhando muita experiência, e também estará montando seu currículo de forma orgânica.
  3. Você nunca esta velho para mudar. Se você não esta feliz no caminho que esta, mude sem medo. Se não der certo mude de novo.

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